18 março 2024

Acróstico


Com um corpo que é um poema

Assinado pela própria natureza

Resplandece uma flor em seu íntimo

Etérea, sublime e atraente

Na sua legítima forma latente

 

Abelha profana que me enfeitiça,

Me permite beber de tua seiva

O néctar que me ofereces, me embriaga

Quero sorver a última gota de teu mel

Enlevar-me em teu beijo que me leva ao céu

 

Deusa a quem tanto idolatro,

Em meu coração trago teu retrato

Quero me aprofundar em tua natureza ambivalente

E na linguagem do teu amor ser fluente.

 

Natal, 22 de outubro de 2023.

Um conto de amor

 16h40. Benedito acabara de sair do colégio, mais cedo do que o habitual. Estava ansioso para encontrar Luana após aquela chatíssima aula de matemática. Haviam combinado de se encontrar na estrada da lagoa grande, que ficava a uns 700 metros da escola. Como a sua aula havia acabado mais cedo, e Luana ainda estava estudando, foi pedalando calmamente. O ponto de encontro dos dois era numa pedra, um lajeiro, que havia na beira da estrada, perto de um juazeiro antiquíssimo. Como a estrada era pouco movimentada, podiam se sentir à vontade para conversar sobre o que quisessem, sem insinuações dos conhecidos. A amizade dos dois havia evoluído bastante nas últimas semanas, e para o garoto aquela era a melhor parte do dia. 16h50. O garoto chega até o lajeiro, se senta, e passa a pensar em sua amiga, que ocupava bastante espaço em sua mente nos últimos dias. O seu cabelo cacheado e seus olhos negros exerciam sobre o menino uma fascinação que beirava à hipnose. 17h. "Ela deve estar saindo da aula agora". Começa a aguardar ainda mais ansiosamente. 17h10. "Ela deve chegar a qualquer momento". 17h20. "A aula deve ter atrasado um pouco". 17h30. "Será que ela ainda vem?" Já faz quase uma hora que Benedito aguarda, e nada. Fica triste, começa a andar de um lado para o outro enquanto se pergunta o que deve ter ocorrido. 5 minutos depois sua amiga chega, super cansada. A alegria do menino volta. Luana senta logo no lajedo, ofegando de cansada.

-A aula acabou mais tarde, por isso demorei

-Tudo bem


Sentados, observam o pôr do sol enquanto conversam sobre a aparência das nuvens. De repente, ficam sem assunto. Luana está imersa em seus pensamentos, com cara de apaixonada. Benedito, buscando algo que quebre o silêncio, começa a olhar para o chão. Vê de repente um pé de dente-de-leão.


-Você sabia que se assoprar um desses você deve fazer um pedido, que nem quando passa uma estrela cadente?


-Você acredita nisso? Eu acho que é besteira


-Eu acredito


-Faz um teste aí então


Benedito arranca um tufo de dente-de-leão, e assopra. Um pedaço fica preso no rosto da garota. Ele se aproxima para retirar, quando o olhar dos dois se cruza, e permanecem durante alguns segundos se olhando. Benedito rouba-lhe um beijo, rápido, por medo. Os dois se olham durante mais alguns segundos, e dessa vez a iniciativa vem da garota. A sensação do encontro de suas línguas, ao mesmo tempo que estranho, é maravilhoso. Depois de cansados da troca de bactérias entre as bocas, uma frase quebra o silêncio:


-meu desejo acabou de se realizar.


Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva, 23 de janeiro de 2024. A pedido de D.C.

João e o português

 João e o português

Desde pequeno, escuto meu avô cantar uma música a respeito de um certo João, que chegando no sertão, fez um português se morder. Eis a versão decorada e declamada por meu avô:


João chegou lá no sertão

Mas sem ter de que viver

Arrumou umas pimenta

E foi pra feira vender

Neste dia ele fez

Um português se morder


No caminho ele encontrou

Um português  aperreado

Com uma carguinha de louça

E um burro acuado


Com uma carguinha de louça

E um burro acuado


Ele disse: ô português

O remédio eu levo aqui

Passe pimenta no fundo dele

E puxe ele por ali


Passe pimenta no fundo dele

E puxe ele por ali


Português aperreado,

Mas fez como João mandou

O burro quebrou a louça

E também desembestou


O burro quebrou a louça

E também desembestou


O remédio já serviu

Que o burro já correu

Agora você só pega ele 

Se também passar no seu 


Agora você só pega ele 

Se também passar no seu 


Português aperreado, 

Para pegar o jumento

Passou a pimenta ardosa

No lugar de sair vento

Ai João disse: "Ô cabra besta,

Desgraçasse o fedorento"


Português aperreado,

Com ardor no feofó

Puxou a faca da cinta

João lhe disse: fique só

Numa carreira que deu

Foi parar em Mossoró.



Essa sendo uma versão de um trecho do poema "A Vida de João Malazarte", de Luiz de Lira. Na versão de Luiz de Lira assim sãos os versos:


Chegou no Seridó liso

 não tendo do que viver 

arranjou umas pimentas 

e foi prar feira vender 

porem no caminho fez 

um português se morder


 Encontrou um português 

com um jumento acuado 

carregado com panelas 

sobre o caminho parado.

 português dando nêle 

porem o burro emperrado ·


João disse: camarada 

eu tenho um remedia aqui 

deu-lhe as pimentas dizendo

 -como este eu nunca vi 

esfregue no fundo dele 

depois puxe-o por ali 


 ele passou as pimentas 

no lugar que João mandou 

o jumento deu dois coice!! 

que a cangalha virou

as panelas se quebraram 

e o burro desembestou 


João disse ao português 

-o jumento já correu 

com. o remédio no fundo 

ele desapareceu 

e você só pega ele

se também passar no seu 


O pobre do português, 

para pegar o jumento 

passou a pimenta ardosa 

no lugar que sai o vento

João disse: oh! cabra besta 

desgraçaste o fedorento 


Quando o português sentiu 

O erdor no fiofó

Puxou a faca da cinta 

João disse: fique só

Duma carreira que deu

Foi parar em Mossoró 

Luz Brilhante

 Luz Brilhante


Noite de fevereiro, caminhava eu com um colega

Na mesma hora em que nascia Helena, menina que carrega

O nome da "mulher mais linda do mundo"

Sendo de uma bela união, o fruto segundo.


A semideusa que inspira seu nome

Era amada pelos espartanos

Tão linda, causou uma guerra,

Perpetrada pelos troianos


Já minha prima, como a filha de Zeus

Carrega uma beleza imensa

E, pelos cantos em que passar,

Imporá sempre sua presença.


Não é personagem de poema Homérico,

Mas do céu sente alegria Américo.

Meire vê sua família mais completa

E Odilon ganhou mais uma trineta.


E eu, como poeta auspicioso, sinto

Que essa menina receberá as bençãos do Deus cristão

E ainda mais as do Olimpo.


Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva. Natal, 11 de março de 2024.

Os 69 anos de Meiruska

Os 69 anos de Meiruska

Minha avó querida,
Que, em minha infância,
De mim cuidava
Mulher ativa, trabalhadora
O dia todo não parava
Era cheia de vida
E a alegria exalava

Minha amada avó
Minha linda Meiruska
Abandone essa tristeza
Que seu brilho tanto ofusca
Sei que o Reino de Deus
É o que você tanto busca

Mas Deus não quer tristeza
Para nenhuma filha sua
Ainda mais quando é alguém
Que tem alma como a tua

Sei que esse estado
Há logo de mudar
Quando chegar o dia do fim
E o Cordeiro voltar.
Fugirá toda sua tristeza
Quando a Glória do Senhor presenciar.

Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva, 14 de outubro de 2023.

Banquete antropofágico

Sim: Afunde, afunde

Poeta obstinado

Pois teu destino é afundar

E nunca mais será lembrado


Nesta selva, cercado por feras

Cambaleias cada vez mais, demente

E se tu não viras uma delas logo

Serás dilacerado lentamente.


Ah! Que delícia deve ser minha alma

Apodrecendo sem parar

Pois sou apenas mais um sacrifício

Neste teu magnífico altar!

Os convidados estão chegando

E, (oh Deus!) Eu sou o jantar.


Minha mente corroída

Com meu espírito vacilante

Esperneiam inconformados

Com o que vêem adiante:

O inevitável já me aguarda,

Se aproxima a cada instante


E, neste terror mórbido que me possui

Ostento um pedaço de carne pendente

Marcho, e marcharei, até o fim

Pois minha alma é totalmente imprudente

Vivo como se fosse algo sagrado

A vida, este horrível acidente.


Oh! Que lindo espetáculo é a natureza!

O devorador ri, o devorado chora

E nesse redemoinho (asco!) demoníaco, criado com rancor

Todos os demônios desta terra adoram com louvor

Esse ciclo interminável de sofrimento

Em que não encontramos nenhum amor.


Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva, janeiro de 2024.

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