Sim: Afunde, afunde
Poeta obstinado
Pois teu destino é afundar
E nunca mais será lembrado
Nesta selva, cercado por feras
Cambaleias cada vez mais, demente
E se tu não viras uma delas logo
Serás dilacerado lentamente.
Ah! Que delícia deve ser minha alma
Apodrecendo sem parar
Pois sou apenas mais um sacrifício
Neste teu magnífico altar!
Os convidados estão chegando
E, (oh Deus!) Eu sou o jantar.
Minha mente corroída
Com meu espírito vacilante
Esperneiam inconformados
Com o que vêem adiante:
O inevitável já me aguarda,
Se aproxima a cada instante
E, neste terror mórbido que me possui
Ostento um pedaço de carne pendente
Marcho, e marcharei, até o fim
Pois minha alma é totalmente imprudente
Vivo como se fosse algo sagrado
A vida, este horrível acidente.
Oh! Que lindo espetáculo é a natureza!
O devorador ri, o devorado chora
E nesse redemoinho (asco!) demoníaco, criado com rancor
Todos os demônios desta terra adoram com louvor
Esse ciclo interminável de sofrimento
Em que não encontramos nenhum amor.
Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva, janeiro de 2024.