16h40. Benedito acabara de sair do colégio, mais cedo do que o habitual. Estava ansioso para encontrar Luana após aquela chatíssima aula de matemática. Haviam combinado de se encontrar na estrada da lagoa grande, que ficava a uns 700 metros da escola. Como a sua aula havia acabado mais cedo, e Luana ainda estava estudando, foi pedalando calmamente. O ponto de encontro dos dois era numa pedra, um lajeiro, que havia na beira da estrada, perto de um juazeiro antiquíssimo. Como a estrada era pouco movimentada, podiam se sentir à vontade para conversar sobre o que quisessem, sem insinuações dos conhecidos. A amizade dos dois havia evoluído bastante nas últimas semanas, e para o garoto aquela era a melhor parte do dia. 16h50. O garoto chega até o lajeiro, se senta, e passa a pensar em sua amiga, que ocupava bastante espaço em sua mente nos últimos dias. O seu cabelo cacheado e seus olhos negros exerciam sobre o menino uma fascinação que beirava à hipnose. 17h. "Ela deve estar saindo da aula agora". Começa a aguardar ainda mais ansiosamente. 17h10. "Ela deve chegar a qualquer momento". 17h20. "A aula deve ter atrasado um pouco". 17h30. "Será que ela ainda vem?" Já faz quase uma hora que Benedito aguarda, e nada. Fica triste, começa a andar de um lado para o outro enquanto se pergunta o que deve ter ocorrido. 5 minutos depois sua amiga chega, super cansada. A alegria do menino volta. Luana senta logo no lajedo, ofegando de cansada.
-A aula acabou mais tarde, por isso demorei
-Tudo bem
Sentados, observam o pôr do sol enquanto conversam sobre a aparência das nuvens. De repente, ficam sem assunto. Luana está imersa em seus pensamentos, com cara de apaixonada. Benedito, buscando algo que quebre o silêncio, começa a olhar para o chão. Vê de repente um pé de dente-de-leão.
-Você sabia que se assoprar um desses você deve fazer um pedido, que nem quando passa uma estrela cadente?
-Você acredita nisso? Eu acho que é besteira
-Eu acredito
-Faz um teste aí então
Benedito arranca um tufo de dente-de-leão, e assopra. Um pedaço fica preso no rosto da garota. Ele se aproxima para retirar, quando o olhar dos dois se cruza, e permanecem durante alguns segundos se olhando. Benedito rouba-lhe um beijo, rápido, por medo. Os dois se olham durante mais alguns segundos, e dessa vez a iniciativa vem da garota. A sensação do encontro de suas línguas, ao mesmo tempo que estranho, é maravilhoso. Depois de cansados da troca de bactérias entre as bocas, uma frase quebra o silêncio:
-meu desejo acabou de se realizar.
Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva, 23 de janeiro de 2024. A pedido de D.C.
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