18 março 2024

Banquete antropofágico

Sim: Afunde, afunde

Poeta obstinado

Pois teu destino é afundar

E nunca mais será lembrado


Nesta selva, cercado por feras

Cambaleias cada vez mais, demente

E se tu não viras uma delas logo

Serás dilacerado lentamente.


Ah! Que delícia deve ser minha alma

Apodrecendo sem parar

Pois sou apenas mais um sacrifício

Neste teu magnífico altar!

Os convidados estão chegando

E, (oh Deus!) Eu sou o jantar.


Minha mente corroída

Com meu espírito vacilante

Esperneiam inconformados

Com o que vêem adiante:

O inevitável já me aguarda,

Se aproxima a cada instante


E, neste terror mórbido que me possui

Ostento um pedaço de carne pendente

Marcho, e marcharei, até o fim

Pois minha alma é totalmente imprudente

Vivo como se fosse algo sagrado

A vida, este horrível acidente.


Oh! Que lindo espetáculo é a natureza!

O devorador ri, o devorado chora

E nesse redemoinho (asco!) demoníaco, criado com rancor

Todos os demônios desta terra adoram com louvor

Esse ciclo interminável de sofrimento

Em que não encontramos nenhum amor.


Autoria: Johnathan Wesley da Trindade Silva, janeiro de 2024.

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