18 março 2024

João e o português

 João e o português

Desde pequeno, escuto meu avô cantar uma música a respeito de um certo João, que chegando no sertão, fez um português se morder. Eis a versão decorada e declamada por meu avô:


João chegou lá no sertão

Mas sem ter de que viver

Arrumou umas pimenta

E foi pra feira vender

Neste dia ele fez

Um português se morder


No caminho ele encontrou

Um português  aperreado

Com uma carguinha de louça

E um burro acuado


Com uma carguinha de louça

E um burro acuado


Ele disse: ô português

O remédio eu levo aqui

Passe pimenta no fundo dele

E puxe ele por ali


Passe pimenta no fundo dele

E puxe ele por ali


Português aperreado,

Mas fez como João mandou

O burro quebrou a louça

E também desembestou


O burro quebrou a louça

E também desembestou


O remédio já serviu

Que o burro já correu

Agora você só pega ele 

Se também passar no seu 


Agora você só pega ele 

Se também passar no seu 


Português aperreado, 

Para pegar o jumento

Passou a pimenta ardosa

No lugar de sair vento

Ai João disse: "Ô cabra besta,

Desgraçasse o fedorento"


Português aperreado,

Com ardor no feofó

Puxou a faca da cinta

João lhe disse: fique só

Numa carreira que deu

Foi parar em Mossoró.



Essa sendo uma versão de um trecho do poema "A Vida de João Malazarte", de Luiz de Lira. Na versão de Luiz de Lira assim sãos os versos:


Chegou no Seridó liso

 não tendo do que viver 

arranjou umas pimentas 

e foi prar feira vender 

porem no caminho fez 

um português se morder


 Encontrou um português 

com um jumento acuado 

carregado com panelas 

sobre o caminho parado.

 português dando nêle 

porem o burro emperrado ·


João disse: camarada 

eu tenho um remedia aqui 

deu-lhe as pimentas dizendo

 -como este eu nunca vi 

esfregue no fundo dele 

depois puxe-o por ali 


 ele passou as pimentas 

no lugar que João mandou 

o jumento deu dois coice!! 

que a cangalha virou

as panelas se quebraram 

e o burro desembestou 


João disse ao português 

-o jumento já correu 

com. o remédio no fundo 

ele desapareceu 

e você só pega ele

se também passar no seu 


O pobre do português, 

para pegar o jumento 

passou a pimenta ardosa 

no lugar que sai o vento

João disse: oh! cabra besta 

desgraçaste o fedorento 


Quando o português sentiu 

O erdor no fiofó

Puxou a faca da cinta 

João disse: fique só

Duma carreira que deu

Foi parar em Mossoró 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

200 anos do Magnânimo

  200 anos do Magnânimo Poema dedicado ao chefe da Casa Imperial Brasileira, S.A.I.R. Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Hoje completam-se ...