Soube eu de uma história
De um certo sitiante
Que morava, sozinho
Num sítio isolado e distante
Sofrendo muito com o peso
De um evento importante
Viúvo fazia dois meses
E em profunda depressão
Vivendo triste,
solitário,
Resolveu tomar uma ação
“Vou começar a criar
bichos
Para ter paz no coração”
Construiu um galinheiro
Começando a criar
pintinhos
Que andavam pelo terreiro
Porém, sempre sozinhos
Catavam seu alimento
Entre as flores e
espinhos
Contudo, surgiu um
problema
Todo dia um pinto sumia
Porque, descendo do céu
Uma carcará surgia
A criação do pobre
fazendeiro
A cada dia diminuía.
O sitiante, revoltado
Quando a situação
percebeu
Pegou a arma de seu avô
Vários tiros na ave deu
Mas nada disso funcionou
A carcará não morreu
Não desistiu por aí
E resolveu observar
Ficava o dia todo de
tocaia
Esperando o pássaro
chegar
Para descobrir então
A morada do carcará
Era tão chato ficar
escondido
Que já estava lhe
enchendo o saco
Porque, como dono de
sítio,
O seu tempo era parco
Mas um dia descobriu:
Morava no topo d’um pau
d’arco.
Resolveu então subir
Para o pássaro matar
“Se ela não estiver no
ninho
Seus ovos vou esmagar
Ou se tiver filhotes,
Todos eles vou roubar
Pois acabou com minha
criação
E tenho eu que me vingar!
Subiu com dificuldade
E quase caiu no chão
Encontrou no ninho apenas
Filhotes feios como o cão
Colocou os três numa
bolsa
Porém, sem nenhuma
agressão
O que iria fazer com
eles?
Restava essa decisão.
Chegando em casa então
Procurou em seus
quartinhos
Um espaço para colocar
Os coitados dos bichinhos
Trancou-lhes lá dentro
Deixando todos sozinhos
O fazendeiro, desde
viúvo,
Toda noite não dormia
Porém naquela noite
Algo diferente
aconteceria
Pois uma estranha visita
Em sua casa receberia
Ouviu um batido na porta
Parecia um pássaro a
bicar
Quando abriu, se deparou
Com a grande mãe Carcará
Que estranhamente falava
E não parava de reclamar
Dizia que os seus
filhotes
Tinha vindo buscar.
O fazendeiro, assombrado
Não acreditava no que via
O seu coração acelerava
Muito rápido batia
Pois aquilo em sua frente
Parecia bruxaria
Tomou coragem e
perguntou:
Senhora, qual o seu nome?
Ela disse: “nós não temos
Essa vaidade que tem os
home
Pois a gente nasce num
dia
E no outro logo some”.
O fazendeiro a acusou
De seus pintos matar
Mas ela justificou
Que precisava se
alimentar
Aquela era sua natureza
E não tinha como mudar
Porém, a atitude dele
Foi só para se vingar
Por isso mesmo ela disse
“Vim meus filhotes
buscar”.
- Pare logo com essa
história
A senhora não me provoca
Eu só devolvo teus
filhotes
Se me oferecer algo em
troca
Pois não vai sair impune
Não pense que sou bococa.
Ela disse: “sei que você
À noite não consegue
dormir
Porém, posso lhe contar
histórias
Para no sono então cair
Sei eu de muitas lendas
E não vou lhe mentir
O senhor devolve meus
filhotes
E depois da história vou
sumir.”
O sitiante disse:
“A senhora é muito
esperta
Mas a mim não apetece
Aceitar essa tua oferta
Vamos fazer um acordo
Para deixar a coisa mais
certa.”
A proposta que tinha em
mente
Começou então a falar:
“Já que eu roubei três
filhotes
Então três noites aqui
virá
Lhe devolverei um por um
E três histórias você vai
contar
Só assim é que você
Daqui com eles pode
voar.”
Ela ficou irritada
Porém, não quis brigar
Se fosse lutar contra ele
Provavelmente iria
apanhar
Podia morrer d’uma surra
E suas crias ficariam lá
Esse era então o único
jeito
De seus filhos recuperar
Pediu então ao sitiante
Licença para poder
entrar.
Mesmo estando
desconfiada,
Começou então a carcará
Disse: “meu caro amigo
Agora eu vou lhe contar
A história de um homem
rico
Que a Deus foi desafiar
Se achava tão poderoso
Mas foi só pra se lascar”
Existiu um ateu
Na então Vila de Arês
Dono de um grande engenho
Dos maiores, um dos seis
Dos tipos que acreditavam
Que podiam mandar como
reis.
Vendo sua lavoura bem
crescida,
Disse: não tem como isso
dar ruim
Vu enriquecer ainda mais
Que nem Deus tira isso de
mim!
Falta pouco para a
colheita
E vai ser dinheiro sem
fim.
Animado como estava,
Resolveu então viajar
Para as vilas limítrofes,
Procurando negociar
Disse pr’o seu gerente:
Só venda quando eu voltar
Pois se você vender antes
Na volta vou lhe açoitar.
Subiu então em seu cavalo
E saiu ligeiro, animado
Porém, passados dois dias
Voltou para lá o danado
Mas só que não era ele
E sim o Cão fantasiado
Procurou logo o gerente,
dizendo:
Meu senhor, não consegui
trato.
Para comprar bem essa
lavoura,
Não encontrei nenhum
candidato.
Então o jeito que “nóis”
tem
É vender tudo barato.
Disse o gerente: meu
senhor
Tudo bem, eu não discuto
Mas, isso é uma loucura
Há muito tempo que eu
labuto
Se não vender isso bem,
Não pagamos nem “os
tributo”
De supetão veio a
resposta:
“Cale a boca seu matuto
Você não conhece minha
natureza
Pois sou um ser muito
bruto
E se você desobedecer
Pego seu braço e amputo.
E eu não quero mais
conversa!
Pode vender abaixo do
preço
Vou viajar pra Nova Cruz
E desta plantação me
esqueço
Vou visitar alguns
conhecidos
Que por lá eu também
conheço”
E a lavoura foi vendida:
Só prejuízo para a
fazenda.
Não davam nem pra pagar
Pr’os escravos a merenda
Venderam tudo tão barato,
que
Até hoje não tem quem
entenda.
Mas o verdadeiro
fazendeiro
Tinha era bem negociado
Vendeu pr’um cabra de
Goianinha
E estava muito empolgado
Pois o negócio tinha sido
bom
E já estava tudo firmado.
Selou o seu velho cavalo,
E voltou muito contente
Chegando em sua fazenda
Disse logo pro seu
gerente:
“Fiz um negócio tão bom
Que serei ainda mais
imponente!”
Disse o gerente: “meu
senhor
Tu perdeste foi o juízo
Eu não entendo como pode
ser bom
Receber tanto prejuízo
O sinhô voltou aqui faz
uns dias
Mandando ignorar aquele
aviso
E se continuar desse
jeito
O senhor acaba é liso!
E vendo que seu patrão
Não estava entendendo
Disse “é que o senhor
voltou aqui
Como quem tava
enlouquecendo
E disse pra vender tudo
logo
A preço de banana acabei
vendendo.
Se lembrando da sua
blasfêmia,
Disse o fazendeito
assustado:
“Jesus Cristo! Por que de
ti fui zombar?
Gastei tanto com essa
lavoura
Só pra ver tudo se
acabar!”
Ali teve um ataque
cardíaco
E no inferno foi morar.
Terminando a história,
O fazendeiro estando
dormindo
A carcará pegou seu filho
E foi pela porta saindo
Mas a saudade dos outros
Ainda estava lhe
afligindo
Chegada a noite seguinte,
Voltou ali a carcará
Chegando, na rede estava
O sitiante a esperar
Ela então abriu o bico
E começou logo a contar:
“Morava daqui distante
Um homem chamado Joaquim
Que em sua vila tinha
fama
De ser um cabra muito
ruim
Não respeitava nenhum ser
vivo
E dava até tiro em soim
Todos os daquela vila
Mantinham a tradição
Iam sempre à missa
Como ditava a religião
Mas Joaquim não
acreditava
Em nenhuma forma de
salvação.
Nesse tempo foi anunciada
Na Vila, uma grande
visita
Frei Damião é que viria
Prepararam então festa
bonita
Joaquim não participou
Nessas coisas não
acredita
O frade lá chegando
Foi logo marcando uma missa
Para a qual compareceriam
Toda alma de fé submissa
Pois para eles aquilo era
Para a salvação uma
premissa
Dois homens então
resolveram
Para a missa, Joaquim
convidar
Não podiam ter pior ideia
Foram só para se espantar
“Joaquim nós aqui viemos
Somente para lhe chamar
Para ir até à missa
Frei Damião escutar”
Mas a resposta que
receberam
Foi algo de escandalizar
“Pra quê vou sair daqui
Só pra ver um bode
falar?”
Como era de se esperar,
Os homens se
escandalizaram
Deram uns gritos em
Joaquim
De toda forma o
censuraram
Depois montaram em seus
cavalos
E daquela casa vazaram
Sendo dois fofoqueiros
Não conseguiram se
segurar
Chegando eles na vila
A Frei Damião foram
avisar
Do herege que ali morava
E que acabara de
“blasfemar”
O sacerdote aquilo escutando
Ficou triste e em aflição
Disse: “um homem assim
De fato, não é cristão”
E assim foi que o frade
Proferiu a maldição:
Disse: “este homem parece
Ser pior que Barrabás
Tu, que me chamaste de
bode
Como bode morrerás
E até depois da morte
Um bode tu virarás!”
Frei Damião foi embora
E os anos foram passando
Joaquim andava com seu
vício:
Todo dia muito fumando
Desenvolveu câncer no
pulmão
E morreu como um bode,
berrando
Um menino um dia andando,
Por onde antes morava
Joaquim,
Ao passar em frente à
casa
Sentiu uma energia muito
ruim
E ouviu um barulho
estranho
Vindo de uma moita de
capim
Já foi ficando nervoso,
Piscou os olhos e quando
abriu
Coitado do pobre menino
Que assombrou-se muito
com o que viu
Pois no meio daquela
estrada
Um bode enorme surgiu
Com um olhar esquisito
De um fulgurante azul
anil
O garoto deu um grito
E o bode pra cima partiu
Mas o menino, sendo
sabido,
Uma oração proferiu
“Valei-me Meu Jesus
Cristo!”
E o malassombro sumiu.
Dizem que até hoje em dia
Evitam passar pela
estrada
Principalmente se for
Pelas horas da madrugada
Pois desde aquele tempo
Ela é mal-assombrada
Pelo bode dos olhos azuis
Que ali tem sua morada
O ouvinte pegando no
sono,
A ave, de falar, cansada
Pegou seu segundo filhote
e saiu
Considerando-se liberada.
Sentia falta de suas
crias
E não conseguia pensar em
mais nada
Chegando a última noite
A mãe estando animada
Pela casa do fazendeiro
Chegou logo adiantada
Só faltava uma história
Para recuperar a ninhada
Porém, o fazendeiro
Com ar de desanimado
Pois com as histórias
noturnas
Já estava acostumado
Com o fim dessa compainha
Estava muito inconformado
Aquela seria a última vez
Depois tudo acabado.
A ave disse: “a história
de hoje
Não é história qualquer
Pois envolve amor e crime
Acerca de uma mulher
Se acomode bem aí
Pois atenção essa requer
Um homem chamado
Francisco
O qual era paraibano
Muito bonito e elegante
E de estatura, mediano
Nascido em Mamanguape
E descendente de
africano,
Para terras potiguares
Resolveu então se mudar
Em São José, conheceu
Cecília
E se apaixonou ao
primeiro olhar
No dia do casamento
A presenteou com um lindo
colar
Se mudaram para o Comum
Lá, ele era respeitado
Por todos os moradores
Sempre foi querido e
amado
Porém, com uma peixeira
Tinha o costume de sair
armado
Pois tinha premonição
E era muito desconfiado
Era, em suma, um homem
bom
Porém um dia foi andar
Pelos lados de Passagem
E no caminho foi
encontrar
Vários homens armados
Que queriam lhe matar
Francisco, naquele tempo
Já possuía muita terra
E à algumas pessoas
Aquilo causava inveja
Foi então este o motivo
De toda a seguinte
guerra:
O que podia Francisco,
Que nunca tinha brigado,
Com a sua peixeirinha
Contra um bando todo
armado?
Pediu então piedade
Mas não foi escutado
Engatilharam as
cartucheiras
Foi bala pra tudo que é
lado
Quando acabaram a
crueldade
Francisco no chão
estirado
Levantaram então o corpo
Que estava todo furado
Entraram no terreno ao
lado
E lá mesmo foi enterrado
Porém, não perceberam
A peixeira do lado caída
Que foi comprada em
Juazeiro
Por todo mundo era
conhecida
Quando amigos passaram
por lá
Imaginaram a trama urdida
Pois aquela alma que
amavam
Há muito desaparecida,
Tinha, com certeza, ali
perdido a vida.
Cecília, nessa época
Já vivia enlutada
Não tinha quem a
consolasse
Estava tão desolada
Assim como a terra de
Francisco
Que estava abandonada.
Pouco tempo, ali chegando
Um forasteiro
desconhecido
Muito bonito e educado
Porém era muito do sabido
Porque toda aquela trama
Era ele quem tinha urdido
Cecília, que neste tempo
Tinha o espírito abatido
Travou contato com este
homem
Que era bem descontraído
Se apaixonou rapidamente
E arranjou novo marido
Coitada da pobre mulher!
Em que armadilha tinha
caído!
A moça, já sem juízo
Apaixonada, logo casou
Ele, sendo cabra safado,
Uma oportunidade
encontrou
E por essa imprudência
Essa pobre mulher pagou
Ele se chamava Manoel
Era da banda de Nova Cruz
Um pilantra como ele
Não respeitava nem Jesus
Sua alma era mais
espinhosa
Do que os próprios mandacarus
A mulher era apaixonada
Para ele o coração abria
Enquanto no peito do
covarde
Amor nenhum existia
Mas para não perder tudo
Um sentimento falso
fingia.
E iam vivendo juntos,
Com os meses se passando
Enquanto isso a paciência
De Manoel ia se esgotando
Certo dia saiu de casa
E um veneno acabou
comprando
Conhecia um tabelião
Que era outro salafrário
Era um vultoso
especialista
Em fazer o povo de otário
Manoel explicou para ele
Como estava armado o
cenário
Resolveram tudo logo:
Os documentos lavrados,
De Cecília e das terras,
Continham todos os dados.
E os papéis ainda estavam
Com os selos carimbados.
No outro dia Manoel
disse:
“Mulher, hoje faço o
almoço
Pois você vive ocupada
Trabalha e faz muito
esforço
Além disso, o arroz de
ontem
Tava era muito insosso”
Preparou caldo de peixe
Onde o veneno derramou
Cecília comeu satisfeita
Com o homem que a enganou
Achando que com esse
“presente”
Amor ele finalmente
demonstrou
Sem saber que seria morta
Pelo homem que tanto amou
Quando ela foi tirar um
cochilo
O veneno então a matou
Manoel foi e agiu rápido
Com o dedo dela carimbou
Os documentos que seu
amigo
Escreveu e também lavrou.
Depois disso mandou
chamar
O padre de São José
O psicopata fingiu choro
O padre disse “Seu Mané,
Vocês se encontram no céu
Para isso basta ter fé.”
Depois do enterro e da
missa
Manoel foi logo embora
Vendeu o colar que
Cecília
Tinha ganho tempos
outrora
Do homem que realmente a
amou
Mas que não estava mais
vivo agora.
Manel pegou o colar de
pérolas
Vendeu na casa de seu Zé
Tudo a preço de banana
Gastando tudo no cabaré
Passou a noite c’uma
quenga
Lhe fazendo cafuné.
Porém, ali vivia uma
médium
Que os espíritos ouvia
falar.
Certa noite ela escutou
A voz de Cecília a clamar
Dizendo: “Francisca, eu
quero
De volta o meu colar
Manel tem que pegar ele
E na minha cova botar
Pois se isso não
acontecer
Eu nunca irei repousar.
No outro dia, nas terras
de Manel
Francisca foi logo
chegando
Quando cruzou a porteira
O dono foi logo gritando:
“Saia daqui, véia doida!
Da sua cara não tô
gostando”
Mas ela disse “Dona
Cecília
Pediu de volta o colar
Para isso vim aqui
Para a você ordenar
Que vá até a cova dela
Para a joia lá deixar
Já não basta o tanto que
tem,
Ainda mais quer roubar?
Se não cumprir essa ordem
O senhor há de pagar.”
Ele disse: a senhora é
doida
Que nem aquela com quem
casei
Vendi aquela porcaria de
colar
Pois aquela mulher eu
nunca amei
E no cabaré de dona
Zefinha
O dinheiro todo gastei
Depois disso, toda noite
Um vulto Manel ali via
Era um moreno elegante,
que
Os arredores da casa
percorria
Manel se assustava com
isso
E de noite não mais
dormia
Ele não tinha mais paz
Em casa vivia assombrado
Pois vozes de noite ouvia
E ficava ainda mais
aperreado,
Quando a voz do homem
dizia:
“Devolva, seu cabra
safado!”
Aperreado, resolveu ir
Ao comércio de seu Zé
Que era dono de vuco-vuco
Negociava até jacaré
Manel ia tentar recuperar
O que gastou no cabaré
Já tinha arranjado mais
dinheiro,
Pois tinha vendido parte
das terras
Quando no comércio chegou,
disse:
Onde está? Aquele colar
de pérolas?
Mas Zé tinha vendido
todas as joias
Não tinha mais nenhuma
daquelas
Manel então aperreou-se
“Vão aumentar minhas
mazelas”
“-Pra quem o senhor
vendeu?
Com quem fez essa
barganha?
Seu Zé disse: pra um
moreno
De estatuta mediana
Porém, aquele homem tinha
Uma aparência muito
estranha
Disse que era de
Mamanguape
E aqui faria uma façanha
Mas só o que posso dizer
É que nunca vi elegância
tamanha
Manel ficou enfurecido
Voltou para casa arisco
Deitou-se na cama de
noite
Quando começou um
chuvisco
Morreu com um corte na
garganta
Da peixeira do velho
Francisco.
Assim como a de Cecília,
A alma de Francisco
penava
Ele só teria descanso
agora
Depois da joia recuperada
E de ter feito justiça:
Sua família fora vingada.
No dia seguinte foi o
enterro
Daquele velho bandido
Ninguém por ele chorou
Pois a muitos tinha
ofendido
E não se arrependia do
que fez
Mesmo sendo repreendido.
No mesmo dia o coveiro
Foi na cova de outros
finados
Por ali encontrou um
colar
E um metal em que estavam
gravados:
Os nomes “Cecília e
Francisco”
“Eternamente ligados”.
Disse a carcará: “meu
amigo
A história aqui acabou!”
Dessa vez ele não tinha
dormido,
Ao contrário, ele clamou:
“Com a sua companhia
Você me acostumou”
“Eu lhe peço perdão
Pela maldade que lhe fiz
Tendo você para conversar
Eu me sinto mais feliz
Se você não voltar
Só terei noites febris.
O fazendeiro então
clamou:
“Por favor, não me
abandone
Porque se me deixar assim
Toda noite será insone
Por favor, nessa solidão
triste
Novamente não me
aprisione.”
Ouvindo isso, a sábia ave
Ficou muito comovida
Disse: “Farei o possível
Para melhorar a sua vida.
Virei aqui toda noite
Para sua alma não ficar
abatida”
E, segundo me disseram,
Eles continuam a se ver
Ela aparece todos os dias
Sempre ao anoitecer
Conversam e contam
histórias
O que lhes dá muito
prazer.
Se não acreditares nessa
história
Que lhe contei de boa fé
Eu posso até lhe dizer
A fonte delas qual é:
Quem me contou tudo isso
Foi um velho caboré.
E peço perdão ao leitor,
Pelo poema tão alongado.
Termino as últimas
estrofes,
De escrever, já muito
cansado.
Espero que você que leu,
Dos meus versos tenha
gostado.
Johnathan Trindade. Brejinho,
março de 2024.
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